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18 janeiro 2012

E Se o "Filho Pródigo" Fosse Gay?



Ultimamente tenho aconselhado muitas pessoas que se assumiram homoafetivas. Por homoafetivo entende-se o indivíduo que gosta e se sente atraído por pessoas do mesmo sexo.

Tenho achado intrigante, entretanto, ser comum entre muitos deles o fato de suas narrativas carregarem extrema dor e grande tristeza. Elas envolvem – além dos preconceitos sociais já conhecidos – discriminação familiar, violência, chantagem, ameaças e boicotes.

Outra coisa que me chama a atenção é que, por vezes, essas pessoas vêm de “famílias evangélicas”. Depois de saber disso, ficou mais fácil compreender o porquê de terem desenvolvido uma profunda aversão ao que é ligado ao sagrado e à igreja.

Você já ouviu falar do efeito borboleta? Bem, trata-se de um termo usado para se referir à dependência às condições iniciais dentro da chamada “Teoria do Caos”.

Ele foi analisado em 1963 pelo matemático e filósofo Edward Lorenz. Numa explicação simplista, imagine um sistema caótico e extremamente sensível, onde uma pequena alteração no seu estado pode produzir uma enorme diferença no futuro. É mais ou menos isto.

O exemplo clássico, que tem sido utilizado para ilustrar a teoria, é afirmar que o simples bater de asas de uma borboleta no Hemisfério Sul, pode provocar um furacão no Hemisfério Norte!

Pois bem, utilizando essa teoria, e vivendo as nuances do contexto citado acima, imaginei como ficaria a parábola do “filho pródigo”, descrita por Jesus no Evangelho de Lucas, se eu fizesse nela uma pequena alteração, ou seja, se transformasse o dito cujo em um gay.

O que você acha que aconteceria se, ao contextualizar o personagem às idiossincrasias de nosso tempo, atribuísse a ele uma orientação sexual homoafetiva?

Bem, sendo muito sincero, acho que haveria uma pro-funda mudança nessa história se ela se transformasse num drama da atualidade. Na minha narrativa, construída a partir do que tenho visto e ouvido, os desdobramentos tomam rotas bem diferentes das da parábola.

Em primeiro lugar, não seria o filho que pediria a herança ao pai para “cair no mundo”, mas o pai – ou a mãe – é que lhe botariam para fora de casa, se possível, apenas com a roupa do corpo, como vi recentemente acontecer com o filho de um pastor.

Sem dinheiro, abrigo ou auxílio, aquele jovem, provavelmente, seria acolhido pelas “ruas”, encontraria uma nova “família”, formada por cafetões, traficantes, viciados e bandidos de toda sorte, gente que nós expurgamos da sociedade e relegamos a uma vida à margem de tudo.

Passados alguns anos, aquele jovem bonito, saudável, cheio de sonhos, já teria se transformado em um ser sem coração, sem emoções, existiria como um “pedaço de carne” que se vende numa esquina qualquer para sobreviver. É muito provável que, em função dos convívios, possa ter se tornado viciado, ou adquirido alguma doença sexualmente transmissível, como a AIDS, por exemplo.

Como na parábola, no fundo do poço, sem dinheiro, sem dignidade, desencontrado de suas referências e perdido de sua própria alma, sentindo-se abandonado por Deus, desterrado da vida, ele, enfim, cairia em si, e exclamaria: “Voltarei para a casa do meu Pai!”.

Mas seria justamente aí onde seu problema tomaria proporções ainda maiores, pois, ao voltar, certamente o pai não o estaria esperando e, surpreendido com sua “triste figura”, o rejeitaria mais uma vez.
   
Não seria de admirar que afirmasse algo do tipo: “Eu não lhe avisei que não destruísse a sua vida? Que o que você estava fazendo era abominação ao Senhor?! Agora, viva com as consequências de seus atos!”. E assim ele seria despedido sem maiores constrangimentos. Pensa que falo sobre o imponderável? Não, amigo, isso aqui é a mais pura realidade!

Essa história que estou construindo, apesar de ser ficção, tem se materializado na existência de muitos, talvez bem mais do que você imagine!

Mas, certamente, alguém vai indagar: o que é que este sujeito está querendo defender? Ele agora virou apologeta do homossexualismo? Entrou para a causa do movimento LGBT?

Bem, tenho ojeriza a ideologias, a “ismos”, seja de que natureza for. Mas a questão aqui não é esta. O que estou discutindo no texto diz respeito à defesa da vida, da dignidade, do direito, do justo. Trato aqui da necessidade que tem um filho de ser acolhido, em qualquer que seja a circunstância, pelo seu pai, pela mãe, pela sua família!

É um luta inglória, mas estou tentando aguçar consciências de que não é jogando as pessoas no lixo que elas se tornarão melhores, pois pessoas não são coisas: coisa a gente usa e joga fora; pessoa a gente ama!

Na parábola descrita por Jesus, o filho mais novo lançou-se na vida, depois de pedir ao Pai o imponderável: a herança! E isso enquanto o mesmo ainda estava vivo!

Além do mais, sendo ele o mais novo, não tinha direito a absolutamente nada. Santo Agostinho, teólogo da Idade Média, quanto trata desse texto, afirma que o que o filho pediu ao Pai não foi dinheiro, mas a liberdade de viver a sua própria vida, de experimentar aquilo que lhe aprouvesse ao coração.

E assim o filho se foi... Seu bolso estava cheio de dinheiro, enquanto o coração do Pai cheio de tristeza e dor. Ele foi para a esbórnia, para a fanfarra, para a dessignificação do ser através de um viver disso-luto, o qual diluiu sua substância interior e transformou sua alma em pasta.

Na minha parábola, todavia, ninguém se preocuparia com nada disso, pois, ele sendo “homem”, faria tudo sem maiores problemas, uma vez que contaria com a anuência da consciência coletiva machista.

Quando a grana acabasse, e aquele filho decidisse voltar para casa, o Pai faria até festa para recebê -lo, pois o “garoto” havia crescido, virado um “garanhão”, aprendido a beber e a fumar!

Sim, posso até ver o pai dizendo aos amigos: “Olha lá! Aquele ali é o meu “menino”! Enquanto isso, o bebezão estaria se esbaldando no Johnnie Walker com Red Bull.

Veja que, no fundo, a questão é puramente cultural, pois o que estamos tratando é de pecados mais ou menos aceitos socialmente, que carregam ou não preconceitos. Um filho pródigo homem, todo pai aceitaria. Mas e se fosse gay? Bem, aí já é demais...

É bem provável que muita gente que vai ler este texto não o entenda... Outros tantos vão “descer o pau” e me chamar de liberal e outras coisas impublicáveis. Mas a verdade é que eu não estou escrevendo para nenhum deles.

Escrevo este texto, meu mano, para você – pai, mãe – que tem um filho ou uma filha homossexual. E eu lhe suplico, em Nome de Jesus, não a(o) jogue na sarjeta da vida! Não o(a) entregue aos “lobos” da existência!

O simples fato de você acolhê-lo(a) e amá-lo(a) pode fazer a grande diferença entra a vida e a morte! Nas palavras de Gandhi: “Tolerância é uma necessidade em todos os tempos e para todas as raças. Mas tolerância não significa aceitar o que se tolera”. Traduzindo, você não precisa concordar com tudo o que alguém faz, mas necessita amá-lo por tudo que ele é!

No texto de Lucas, sempre fiz a abstração de que, todos os dias, aquele Pai ficava no alpendre de sua casa, olhando fixamente para o horizonte, esperando com o coração sofrido o dia em que seu filho voltaria para casa.

O tempo passou... mas, num certo dia, ele apontou na estrada empoeirada. Vinha longe, mas percebia-se estar mal cheiroso, mal-amado e mal resolvido. Chegou todo “quebrado”, cortado pela navalha fria da vida, com lágrimas nos olhos e sangue nos pés. Contudo, que importava tudo isso, se ele havia voltado?

Uma coisa, todavia, para aquele jovem descrito por Jesus, fez toda a diferença: foi quando o Pai, com emoção incontida, afirmou: “Esse meu filho estava morto e reviveu; estava perdido e foi achado”, e, beijando-o e abraçando-o o recebeu de volta.

Como bem disse Geoffrey Chaucer, escritor e filósofo inglês: “A misericórdia vai além da justiça”.

Carlos Moreira

11 comentários:

Parabéns Pastor, você falou de um assunto presente na vida de muitas famílias, principalmente nas igrejas cristãs. Eu constumo aconselhar pais e mães quando procurado, que eles, os pais, devem ama-los como filho, trata-lo como homem ( no caso de homem) e nunca, em momento algum, abandonalos.

Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; o qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema!

Pastor, muito bom o texto. Só é importante corrigir que o termo "homoafetivo" se refere a pessoas que se sentem atraídas afetiva e sexualmente por pessoas do mesmo sexo ( nao somente homens, como dito no texto).

Bom, tirando que o termo "pródigo" significa aquele que dilapida os bens, penso que, se o que a parábola chama de "filho pródigo" fosse filho gay, ele não seria mais "pródigo", considerando que em algumas "igrejas" isso não é mais pecado...

Patrícia.

A paz do Senhor irmão Carlos....
Não precisamos fazer alteração nenhuma na parábola do filho pródigo para vê-lo se ele fosse homo afetivo, homossexual, por que o filho pródigo pode ser associado a qualquer pecador. Alguém que deixa a casa do Pai por decidir que quer viver a própria vida e note, aqui podemos sim contextualizar cristãos. Alguém que vivia com o Pai e não mais quis. Quis viver a vida. E vai dissolutamente. O filho "rebelde" para muitos, mas também sincero e consciente sabe que querer viver o pecado não permite viver na casa do Pai, por que não condiz com a vida Dele. Então Não como servir a dois senhores.
Ele assume que quer viver o seu pecado, mas um dia ele RECONHECE que escolheu o pecado, ELE MESMO RECONHECE que PECOU, ELE MESMO não se acha digno (por que todos pecaram e destituídos foram da glória de Deus) e VOLTA ao PAI (DEUS, a família), sabendo que não é digno, mais uma vez eu digo o que ele diz na parábola, ele reconhece.
É um coração que já está ARREPENDIDO da má escolha, do pecado, dos maus caminhos. Alguém que não vem soberbo dizendo: escolhi, fiz, sou assim e vocês são obrigados a me engolir, por que são minha família. NÃO! Ele, O FILHO, agora está disposto a VOLTAR e a VIVER da FORMA do PAI, DEBAIXO DA AUTORIDADE DO PAI, NORMAS, LEIS, CONDUTAS DO PAI e que antes ele rejeitara, mas que hoje reconheceu que dava a vida plena, que ele nunca reconheceu. Uma vez ouvi uma frase que diz: a maior liberdade de alguém é quando ele tem limites. Agora o filho HUMILDE, QUEBRANTADO, ABANDONA E VOLTA AO PAI – ISSO É ARREPENDIMENTO- MUDANÇA.
LOUVO A DEUS PELA VIDA DESSES JOVENS QUE TEM BUSCADO CONCERTO!
Como TODO PECADO, e saibam irmãos que passam por essa luta TODO PECADO vem do coração do homem. Uns adultérios, outros roubo, outros mentira, outros gula, outros fornicação, outros brigas, porfias, enfim! LUTA CONTRA A MÁ PENDENCIA DA CARNE.
HOMOSEXUALISMO É PECADO como QUALQUER OUTRO PECADO. MATA A IDENTIDADE DA PESSOA!
LUTE IRMÃO (Ã). E desde já digo a TODOS (AS):
VOCÊS SÃO MAIS QUE VENCEDORES EM CRISTO JESUS.
SÓ NÃO SE CONFORMEM ACHANDO QUE ISSO É NORMAL! POR QUE NÃO É!
Cada geração tem seu bombardeio maligno com pecados específicos e nós cristãos temos que lutar contra a ação das trevas: anos 60/70 rebeldia - romper com as bases antes instituídas – libertinagem, SEXO LIVRE, drogas....década de 80/90 aborto, LIBERDADE SEXUAL- camisinha à vontade, AGORA – LIBERDADE SEXUAL- HOMOSEXUALISMO, BISSEXUALISMO...
ALERTE: LIBERDADE DEUS NOS DEU DESDE O ÉDEM...VOCÊ ESCOLHE QUEM AMAR, COM QUEM SE RELACIONAR, COM QUEM TRANSAR (FAZER SEXO/AMOR). Mas TUDO COM ORDEM E DECÊNCIA! ISSO É LIBERDADE!
ABRAÇO A TODOS, NO AMOR DE JESUS!

Andreza

Que pena, vc fala da parábola como se tivessemos que aceitar e conviver com o pecado , qdo a palavra diz que Deus ama o pecador, mais abomina o pecado. só para te relembrar , na parábola há o arrependimento, ele filho, que somos nós...volta para Deus, deixa o pecado... É isso ai meu amado. Este homossexual terá sim o acolhimento do Pai( Deus) se ele deixar a vida dissoluta e viver em obediência, e isso se aplica a todos nós, em qualquer área onde desobedessemos ao Senhor e vivemos como queremos , cheios de vícios: seja por carnes, seja por carros, seja por bebidas, seja por pessoas do mesmo sexo.Tudo que coloca Deus e seu Reino em segundo plano. Achei sua comparação no mínimo falta de sabedoria.
Deus te abençoe e te faça crescer no conhecimento, pois Ele esta as portas.. Sejemos prudentes!

A você que não se identifica, um ser anônimo. A este último comentário que você fez. Acho que você não entendeu nada do que o Pastor falou. Resumindo ele pede pra que sejamos tolerantes e não rejeitemos as pessoas pelas suas escolhas e nem tão pouco as despreze. Isto não quer dizer que tenhamos que concordar. Entendeu?

otimo texto. então concordo em tudo que vc disse. Queria um conselho. Tenho um amigo que ja foi ate musico na igreja, porem pelo fato de ter feito uma tatuagem foi afastado e como ja tinha uma tendencia homo acabou assumindo esse estado. como faço para ajudar esse amigo. Pois não sou preconcetuoso, porem como ele vai muito a minha casa, como deve ser minha postura, pois ele esta relacionando com outro rapaz. Tenho filhos e isso da um nó na minha cabeça. O que devo fazer? email: jucafe2@yahoo.com.br

A verdade é que isso é uma coisa que não é tolerado nas igrejas. Toleram safadezas de heteros mas esse tipo de assunto é CRIME.

meu caro amigo,gostei muito deste assunto,graças a DEUS,não vivo está situação,mas consegui entender melhor,a parábola do filho pródigo,passando assim,ver as pessoas que tem este problema com olhos de Jesus,que é infinito amor e misericórdia,me deu uma visão ampla da parábola,fique na paz.

Pastor Carlos,

Eu acho que entendi o sentido do seu texto, mas não passando pelo dilema dos pais da vida real que o sr. abordou. Meus filhos homens hoje só tem 1 e nove anos, mas eu já considerei esta hipótese num futuro, e se meus filhos se tornarem home afetivos? Ainda que eu bem os oriente, e com a minha desaprovação pelo o homossexualismo, e se mesmo assim, eles escolherem este caminho tortuoso, o que eu faria? Sinceramente, no meu coração, o amor que eu tenho pelos meus dois filhos já berra maior que qualquer lei: Meus filhos eu os amo demais para os rejeitar, não jamais os mandaria embora, ainda que toda a casta farisaica pedissem suas cabeças a mim numa bandeja ou que eu atirasse a primeira pedra neles. Não, eu não obedeceria ao seu clamor pela justiça da lei mosaica, antes daria a minha vida por eles, porque é isto que qualquer pai que ama faria. Meu Deus fez isto por mim na cruz. Pasto Carlos, também entendo os opositores deste evangelho, que o acusam de usurpador, estão presos ainda à Lei e querem sobreviver sob à Graça! São insensatos! Ainda não entenderam o que significa "Misericórdia quero". Fique com a Paz de Deus!

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